Memórias de uma Feiticeira
"O meu tio A. não passava nas encruzilhadas de noite e, se tinha de o fazer, deixava um fio de azeite num dos caminhos para a moura não atormentar, mas se fosse Lua Cheia não ia, nem com os conselhos que a tia lhe dizia: - só se deixares leite, porque com a Lua prenhe a moura canta e prende e só a distrais com leite e depois ela vira serpente e foge, mas foges tu primeiro e nunca olhas para trás... "Esta minha estima por Marta Martalina, a que não era santa nem divina, mas sim uma mulher encantadora, foi o impulso para o meu interesse pelo Príncipe das Trevas. Lá no fundo do meu coração, eu queria encontrá-Lo, ser a sua noiva. Enfim, algo me atraía para o outro lado, o do desconhecido que todos temiam e fingiam não acreditar. Mas nos livros de feitiços, era a Ele a quem pediam favores. E pensei: "Então se há quem ame Cristo, também há quem ame Lucifer?". Afinal o diabo é belo, chamam-lhe um anjo caído e eu queria conhecê-lo! Se havia o anjo caído, Lucifer, quem seria ele?" "Conforme eu avançava, o tapete negro ia-se levantando, as capas elevavam-se do chão quais asas negras ondulantes. Senti estar a ser recebida em casa da Morte que estava a cumprimentar-me, presenteando-me com uma cerimónia do mais intenso e estético momento, que uma sacerdotisa dos antigos pode receber. Ali, no seu reino, ela abria-me o caminho e eu avançava enquanto as capas negras iam saindo do chão negro e aveludado, dando lugar ao piso de pedra mármore bela e fria. " "Qualquer prática para mudar o destino, aciona sempre a Lei do Retorno"
- ISBN
- A atribuir
- Páginas
- 224
- Formato
- Brochura
- Publicação
- 1 de janeiro de 2018
- Preço
- 20,00 €
- Disponibilidade
- Disponível

